Título: CENÁRIO EPIDEMIOLÓGICO DA FEBRE OROPUCHE NO BRASIL: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Proponente(s):
Medeiros, N. I.
Oliveira, L. L. G.
Aluno(s):
Malta-vaz, M. C. O.
Melo, T. D. M.
Cunha, P. M.
Silva, M. E. R. T.
Reis, N. L. L.
Anjos, D. P.
Área: Medicina
Resumo:
Introdução: A febre oropouche (FO) é uma arbovirose emergente na América do Sul, causada pelo vírus Oropouche (OROV), pertencente à família Peribunyaviridae. Transmitida principalmente pelo Culicoides paraensis, a doença apresenta um quadro clínico semelhante ao de outras arboviroses, como dengue e chikungunya, o que dificulta seu diagnóstico e subestima sua prevalência. No Brasil, surtos têm sido relatados com frequência crescente, indicando a necessidade de melhor compreensão do seu comportamento epidemiológico. Objetivo: Realizar uma revisão sistemática sobre o cenário epidemiológico da febre oropouche no Brasil, com foco na distribuição geográfica, número de casos, populações afetadas e fatores associados à disseminação do vírus. Material e Métodos: A revisão foi conduzida conforme as diretrizes PRISMA. As bases de dados PubMed, SciELO, LILACS e Web of Science foram consultadas até abril de 2025, utilizando os descritores: "febre oropouche", "Oropouche virus", "epidemiologia" e "Brasil". Foram incluídos artigos originais publicados em português, inglês ou espanhol, que abordassem dados epidemiológicos da FO em território brasileiro. A seleção dos estudos e extração de dados foi realizada por dois revisores independentes. A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada com base na ferramenta STROBE para estudos observacionais. Resultados: Foram identificados 327 artigos, dos quais 36 atenderam aos critérios de elegibilidade. A maioria dos estudos foi realizada nas regiões Norte e Nordeste, com destaque para os estados do Amazonas, Pará e Rondônia. Os surtos foram mais frequentes entre os meses de maior pluviosidade e afetaram predominantemente populações rurais e ribeirinhas. A faixa etária mais acometida variou entre 15 e 45 anos. A subnotificação foi uma limitação comum nos estudos, atribuída à semelhança clínica com outras arboviroses e à falta de métodos diagnósticos específicos na atenção básica. Conclusão: A febre oropouche representa uma ameaça crescente à saúde pública no Brasil, especialmente em regiões amazônicas. A revisão evidencia a necessidade de ampliar a vigilância epidemiológica, implementar métodos diagnósticos acessíveis e investir em estratégias de controle vetorial. O reconhecimento da FO como problema emergente pode contribuir para sua inclusão nas políticas públicas de arboviroses e melhorar a resposta aos surtos futuros.