Título: ÍNDICE DE DEPENDENCIA TECNOREPRODUTIVA (IDT) EQUACIONAL COMPARATIVA ENTRE PAÍSES DESENVOLVIDOS E EM DESENVOLVIMENTO
Proponente(s): Baltatu, L. A. C.
Aluno(s): Santos, T. F. F.
Área: Ciências naturais, matemática e estatística
Resumo:
Introdução: As tecnologias de reprodução assistida (TRA) têm se tornado cada vez mais prevalentes mundialmente, porém sua relação com fatores demográficos e socioeconômicos permanece pouco conhecida. Este estudo pela primeira vez desenvolveu um Índice de Dependência Tecnoreprodutiva (IDT), uma métrica geométrica desenvolvida para quantificar a dependência populacional das tecnologias de reprodução assistida como fator contributivo para o crescimento populacional.
Objetivo: Desenvolver e validar o Índice de Dependência Tecnoreprodutiva (IDT) e comparar padrões entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.
Metodologia: Este estudo é observacional, retrospectivo, descritivo e exploratório de base de dados online de 66 países distribuídos em sete continentes (2012-2019, N=523 observações país-ano). As fontes de dados incluíram Global Burden of Disease (GBD), Banco Mundial, dados das Nações Unidas e base de dados de reprodução assistida governamentais. O IDT foi construído utilizando três variáveis centrais: ciclos de reprodução assistida (CRA), taxa de infertilidade (TI) e taxa de crescimento populacional (TGP%). As análises estatísticas incluíram estatísticas descritivas, matrizes de correlação, análise de componentes principais (PCA), agrupamento k-means e modelos de regressão múltipla.
Resultados: A amostra compreendeu 523 observações, predominantemente da Europa (55,6%), seguida pela América Latina (18,4%) e África (12,2%). A mediana de nascimentos totais foi de 200.000 (IQR: 62.000-670.000), com mediana de nascimentos por reprodução assistida de 1.944 (IQR: 579-7.037). As metodologias IDT-H e IDT-A demonstraram forte convergência (correlação ρ=0,928, p<0,001; análise de Bland-Altman confirmou concordância). Foram identificadas correlações significativas entre IDT e GNI per capita, taxas de fertilidade e utilização de TRA. A análise temporal (2012-2019) revelou tendências crescentes na dependência tecnoreprodutiva, particularmente em países de alta renda. Variações continentais demonstraram padrões distintos, com Europa e América do Norte apresentando valores de IDT mais elevados comparados à África e América Latina.
Conclusões: O Índice de Dependência Tecnoreprodutiva (IDT) representa uma ferramenta válida e confiável para quantificar a dependência dos países em relação às tecnologias de reprodução assistida. O índice captura com sucesso a complexa interação entre desenvolvimento econômico, transições demográficas e utilização de TRA. Os achados revelam disparidades substanciais entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento, com implicações para políticas de saúde reprodutiva, alocação de recursos e equidade no acesso a tratamentos de fertilidade. O IDT fornece uma estrutura padronizada para monitorar tendências globais na dependência tecnoreprodutiva e pode informar decisões multidisciplinares baseadas em evidências.