Título: Cobertura Vacinal em Menores de Um Ano no Brasil (2018–2023) e Incidência de Doenças Imunopreveníveis (2019-2024): Tendências, Desigualdades Regionais e Implicações para a Saúde Pública
Proponente(s): Assis, D. N.
Aluno(s):
Gualberto, A. L. V.
Lamas, B. B.
Ignatos, G. R.
Silva, M. E. P.
Júnior, M. A. P.
Rosa, L. S. S. R.
Área: Medicina
Resumo:
Introdução: A cobertura vacinal é um dos principais indicadores de desempenho dos sistemas de saúde e reflete tanto a eficácia das políticas públicas de imunização quanto o acesso e a confiança da população nos serviços. O Brasil, historicamente referência em imunização infantil, apresenta desde 2016 uma tendência de declínio nas coberturas, acentuada durante a pandemia de COVID 19. A análise integrada entre cobertura vacinal e incidência das doenças imunopreveníveis é essencial para compreender o impacto dessa redução e orientar estratégias de recuperação. Objetivo: Avaliar a tendência temporal da cobertura vacinal em menores de um ano no Brasil entre 2018 e 2023 e comparar com a incidência das doenças associadas às vacinas no período de 2019 a 2024, identificando padrões regionais, oscilações temporais e possíveis repercussões epidemiológicas. Métodos: Estudo ecológico, de abordagem quantitativa e caráter descritivo-analítico, utilizando dados secundários de acesso público provenientes do TABNET/DATASUS e InfoMS Saúde, referentes às vacinas do primeiro ano de vida (BCG, Hepatite B, Pentavalente, Poliomielite, Pneumo 10, Rotavírus, Febre Amarela, Meningocócica C e Tríplice Viral). As coberturas foram analisadas por regressão linear e Modelos Lineares Generalizados (GLM) com distribuição binomial, avaliando tendências temporais e diferenças regionais. Para as doenças notificadas, aplicou-se regressão de Poisson ou Binomial Negativa, conforme a dispersão dos dados. Foram estimados coeficientes, razões de taxas e valores de p, com nível de significância de 5%. Resultados e discussão: A maioria das vacinas não apresentou tendência temporal significativa, embora tenham ocorrido reduções expressivas em 2020–2021, coincidentes com a pandemia de COVID-19. A Meningocócica C foi a única com queda sustentada (–1,6 p.p./ano; p0,022), sem recuperação completa até 2023. Houve retomada parcial das coberturas em 2022 2023, mais evidente no Nordeste. Persistiram desigualdades regionais, com menores coberturas no Norte e Nordeste para Pentavalente, Tríplice Viral e Febre Amarela. Quanto às doenças, observou-se estabilidade temporal para tuberculose, hepatite B e meningite C, porém surtos pontuais de coqueluche e rotavírus em 2024. O sarampo apresentou redução significativa (–83,5%/ano), refletindo o impacto das campanhas de bloqueio pós-2019. A sobreposição entre queda de cobertura e maior incidência foi mais evidente para meningite C, sugerindo relação causal. Conclusão: Embora a pandemia tenha provocado interrupções temporárias na imunização infantil, a maioria das vacinas apresentou recuperação parcial e estabilidade na incidência das doenças associadas. No entanto, o declínio sustentado da Meningocócica C e as disparidades regionais persistentes revelam vulnerabilidades que ameaçam o controle de agravos imunopreveníveis. É necessário fortalecer estratégias de busca ativa, ampliar o acesso e aprimorar a comunicação em saúde para restabelecer coberturas homogêneas acima do limiar de 95%, assegurando proteção coletiva duradoura. O curto período de análise e possíveis inconsistências nos bancos de dados do DATASUS limitam a detecção de tendências de longo prazo e reforçam a importância de aprimorar a qualidade das informações de imunização no país.