Título: O acesso de idosos refugiados ao Sistema Único de Saúde e suas Principais Barreiras
Proponente(s): Alonso, A. C.
Aluno(s):
Narciso, G. C.
Souza, K. H.
Rocha, A.
Área: Saúde e bem-estar
Resumo:
Este estudo teve como objetivo compreender as experiências de acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS) entre idosos e envelhecentes refugiados residentes na cidade de São Paulo, identificando barreiras e fatores que influenciam o cuidado em saúde. A pesquisa insere-se no campo das Ciências do Envelhecimento e dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente os ODS 3, 10 e 16.
Adotou-se uma abordagem qualitativa, fundamentada na fenomenologia. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas em profundidade com quatro participantes com 50 anos ou mais, provenientes da Síria e do Afeganistão, acolhidos por uma instituição da sociedade civil. As entrevistas foram gravadas, transcritas e analisadas segundo o método de Análise Fenomenológica de Giorgi (2009).
Os resultados revelam múltiplas dimensões de vulnerabilidade. A barreira linguística foi identificada como o maior obstáculo ao acesso ao SUS, dificultando comunicação, compreensão de diagnósticos e adesão ao tratamento. A burocracia e a demora em atendimentos comprometem a continuidade do cuidado, especialmente em doenças crônicas. A vulnerabilidade socioeconômica, marcada pela ausência de renda fixa e desconhecimento sobre direitos sociais, agrava a fragilidade dessa população. Além disso, observou-se irregularidade no acompanhamento em saúde, dependência de mediadores e dificuldade de navegação no sistema.
Por outro lado, emergiram fatores psicossociais e espirituais, como fé, religiosidade e apoio comunitário, que funcionam como mecanismos de proteção emocional e facilitadores da adaptação em terra estrangeira. A instituição acolhedora desempenhou papel central na oferta de suporte social e mediação cultural.
Conclui-se que o acesso ao SUS por idosos refugiados é atravessado por barreiras linguísticas, burocráticas, socioeconômicas e culturais, revelando a necessidade de políticas públicas mais sensíveis às especificidades dessa população. Os achados contribuem para ampliar a visibilidade do envelhecimento em contexto de refúgio e reforçam a importância de estratégias de cuidado integradas, equitativas e culturalmente competentes.