Título: Em busca da cidade hospitaleira: identificando qualidades no espaço público
Proponente(s): Severini, V. F.
Aluno(s):
Fialho, S. T.
Santos, D. V. S.
Área: Artes e humanidades
Resumo:
O crescimento de boa parte das grandes cidades ocorreu de forma dispersa e chegou muitas vezes até seus limites naturais. Este tipo de ocupação, conhecida como “urban sprawl”, gera um conflito econômico e problemas ambientais graves, face a ocupação sobre a paisagem natural, eliminando florestas, se apropriando dos recursos naturais, aumentando a demanda por consumo e energia e produzindo resíduos em excesso. Entre os motivos dessa ocupação dispersa estão: a) a saturação dos centros urbanos e os elevados preços do solo que obrigam a população a deslocar-se para as periferias em busca de terras mais acessíveis e; b) a busca por áreas de habitação (normalmente monofuncionais) de zonas de baixa densidades por uma classe social média/média alta(GOMES, 2009). As tendências de crescimento por meio de espaços de baixa densidade já não atendem as demandas atuais de sustentabilidade para as grandes cidades e passa-se a pensar na intensificação do solo por meio de densidades elevadas e uso de solo diversificado. Surge então o conceito de “cidade compacta”, que procura resolver os seus problemas dentro dos seus próprios limites, evitando o “urban sprawl” e o consumo de mais terrenos. Com uma ideia relativamente simples, o conceito de cidade compacta promove o adensamento em trechos da cidade dotados de rica infraestrutura urbana. Ou seja, são incentivadas zonas mistas de alta densidade próximas a eixos de transporte público de alta capacidade. Mas os modelos alternativos de planejamento urbano que visam o adensamento e o uso intenso do espaço público, incluindo a “cidade compacta”, precisam vir acompanhados de soluções urbanísticas que garantam um bom convívio entre os seres humanos. Caso contrário, viver nas chamadas cidades compactas não será uma experiência agradável. Diante do exposto, o objetivo deste trabalho é Investigar qualidades urbanísticas do espaço público de grandes cidades capazes de oferecer sensações de bem-estar e acolhimento. Utilizou-se o método do Safari Urbano e o recorte foram duas vias da capital paulista. São elas: Estrada de Itapecerica e Rua do Rócio. Desenvolvido em 2015 pela equipe do projeto Cidade Ativa a partir de um estudo desenvolvido pela prefeitura da cidade de Nova Iorque, nos EUA, o Safari Urbano é uma metodologia utilizada para analisar a qualidade ambiental urbana de um trecho urbano. A proposta é observar o espaço urbano diretamente, em campo, identificando elementos visíveis e sensíveis da paisagem que, muitas vezes, passam despercebidos na correria do dia a dia. O método sugere observar a qualidade das calçadas, a arborização, a sinalização viária, o mobiliário urbano e o uso e tipo de ocupação do solo. As vistorias foram realizadas em maio de 2025, no período da tarde. Foram observados os seguintes itens: a) qualidade das calçadas (largura, pavimentação, acessibilidade); b) arborização viária (padrão na implantação); c) sinalização viária (horizontal e vertical); d) mobiliário urbano; e) uso e tipo de ocupação do solo das quadras lindeiras à rua. Com o intuito de identificar uma série de elementos urbanos capazes de gerar sensações de bem-estar e acolhimento aos usuários da via, esta pesquisa, ainda em andamento, se junta a vários estudos que buscam compreender como uma cidade pode ser mais hospitaleira e garantir qualidade ambiental urbana.